Mulheres e crianças mais afetadas por distúrbios mentais durante a pandemia: Índice de Saúde Mental Headway 2023

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  • Published: 11 out 2021
  • 83% das mulheres relatam que a pandemia impactou negativamente a sua saúde mental, em comparação com 36% dos homens. 
  • 20% da população em idade ativa experiencia transtornos mentais de forma leve a moderada em algum momento das suas vidas.  
  • 1 em cada 3 crianças que desistem da escola também têm uma perturbação mental.
  • Grande variabilidade na disponibilidade, acessibilidade e qualidade dos serviços de saúde mental prestados e na capacidade de resposta dos países europeus às necessidades de saúde mental nas escolas, nos locais de trabalho e na sociedade em geral. 

 

A pandemia de covid-19 exacerbou os desafios relacionados com o género devido ao facto de as suas consequências para a saúde mental afetarem desproporcionalmente as mulheres, tanto no trabalho como em casa, segundo os resultados do “Índice de Saúde Mental Headway 2023”, divulgado esta quinta-feira. O relatório também foca o impacto dos distúrbios de saúde mental nas crianças, revelando uma possível associação entre doenças psicológicas e o abandono escolar, sendo que 1 em cada 3 adolescentes que desistem da escola também experienciam uma perturbação mental

O índice é um quadro multidimensional realizado em países da União Europeia e no Reino Unido no âmbito do Headway 2023, uma iniciativa de Saúde Mental concebida e lançada pela The European House - Ambrosetti, um think tank, em parceria com a Angelini Pharma. O Headway 2023 foi concebido como uma plataforma multidisciplinar para a troca de conhecimentos para prevenir, diagnosticar, gerir e encontrar soluções inovadoras para reduzir o peso da saúde mental e o estigma associado às doenças mentais, a nível europeu e local.

O CEO da Angelini Pharma, Pierluigi Antonelli, disse: “Os esforços de recuperação da covid-19 oferecem uma oportunidade crucial para melhorar os serviços e as políticas de saúde mental na Europa, colocando a saúde do cérebro no topo da agenda de saúde pública europeia. O Índice de Saúde Mental Headway 2023 oferece a primeira visão geral abrangente do estado dos sistemas de saúde mental na Europa. O relatório destaca a taxa de doenças mentais entre as pessoas em idade ativa e também a necessidade urgente de os empregadores estabelecerem sistemas apropriados para responder às necessidades de saúde mental. O Grupo Angelini, também graças ao forte compromisso dos nossos acionistas, disponibiliza uma linha de apoio psicológico para todos os seus colaboradores. É crucial, enquanto influenciamos as políticas externas, permanecer coerente e agir com responsabilidade dentro das nossas organizações”. 

“O tema Saúde Mental é crucial, sabendo que os limites da saúde mental vão além da idade, do sexo, do status social e da proveniência e que os distúrbios mentais têm um impacto importante não só nos indivíduos e nas suas famílias, mas também na sociedade. A nossa análise e o ‘Índice de Saúde Mental Headway 2023” têm em conta todos estes aspetos. O nosso trabalho fornece um quadro multidimensional sobre a saúde mental na Europa, combinando elementos e intervenções em políticas de saúde, bem-estar e educação em países europeus e destaca as fraquezas e os sucessos dos países na resposta às necessidades em saúde mental, baseando-se numa comparação entre outras experiências europeias.”, afirma Daniela Bianco, Sócia e Responsável pela Área de Saúde The European House - Ambrosetti, “A pandemia da covid-19 teve consequências significativas na saúde mental de toda a população, no entanto, o contexto da saúde mental na Europa já era preocupante muito antes da pandemia, com mais de 84 milhões de pessoas com problemas de saúde mental e 165.000 mortes anuais devido a doença mental ou suicídio. De facto, por exemplo, a esperança de vida das pessoas com esquizofrenia - 60 anos para os homens e 68 anos para as mulheres - é 13-15 anos menor do que a do resto da população. Além disso, o suicídio é a 6 ª causa de morte na população em geral e a 4 ª causa de morte na população jovem e, em alguns países, o impacto dos transtornos mentais em jovens é maior do que o de todos os outros problemas de saúde juntos. As análises apresentadas hoje mostram uma grande variabilidade na disponibilidade, acessibilidade e qualidade dos serviços de saúde mental prestados e na capacidade de resposta dos países europeus às necessidades de saúde mental nas escolas, locais de trabalho e sociedade em geral.'', afirma Celso Arango, Presidente da Associação Psiquiátrica Espanhola e Conselheira do “Headway 2023”. “No entanto, surge uma escassez generalizada de dados atualizados e possíveis distorções relacionadas com ‘relatórios incorretos’ e ‘relatórios insuficientes’. Portanto, é crucial aumentar a capacidade de os países recolherem e monitorizarem dados de saúde mental para se poder avaliar a dimensão da saúde mental em todos os países e avaliar sua capacidade de resposta às necessidades de saúde e socioeconómicas na saúde mental.”

De acordo com estimativas recentes, 83% das mulheres relatam que a pandemia afetou negativamente a sua saúde mental, em comparação com 36% dos homens. Mulheres grávidas, mulheres no período pós-parto ou vítimas de traumas, como aborto espontâneo ou abuso de parceiros íntimos, foram consideradas as mais suscetíveis aos impactos psicológicos da pandemia. O peso das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos também teve um impacto significativo no bem-estar mental das mulheres, com 44% das mulheres com filhos menores de 12 anos a relatar terem tido dificuldades nas responsabilidades domésticas, em comparação com apenas 20% dos homens. 

O relatório também revela que a doença mental, especialmente a do tipo leve a moderado, afeta até 20% da população em idade ativa em algum momento das suas vidas, enquanto 70% da população empregada relata problemas de saúde mental nas formas leve a moderada. A doença mental também pode ter um impacto significativo na capacidade de trabalho das pessoas, limitando a sua capacidade de participação no mercado de trabalho. As taxas de emprego em pessoas com transtornos mentais graves foram de 45-55%, sendo que aqueles que fazem parta da força de trabalho receberam um salário 58% inferior à média. No geral, em toda a Europa, a taxa de emprego de pessoas que sofrem de depressão é muito heterogénea, com taxas a variar entre os 27%, na Roménia, e os 68%, na Alemanha. No entanto, episódios de absentismo e presenteísmo (corpo presente no local de trabalho, mas mente ausente) são frequentes e o custo da perda de produtividade do trabalho é alto (igual a 1,6% do PIB europeu).

À medida que a pandemia avança, a exposição prolongada dos profissionais de saúde a situações extremamente stressantes e potencialmente traumáticas torna-os particularmente vulneráveis ​​ao stresse mental e à ansiedade, com impacto a longo prazo na sua saúde. Na Europa, 57% dos profissionais de saúde relataram que tiveram sintomas de stresse pós-traumático durante o pico da pandemia.

O “Índice de Saúde Mental - Headway 2023” também destaca o impacto socioeconómico dos transtornos de saúde mental. Estudos recentes estimam que o custo total dos distúrbios mentais, em termos de perda de produtividade e despesas com saúde e assistência social, deve ser equivalente a 4% do PIB da UE. Embora a saúde mental tenha um impacto socioeconómico crítico, só é alocado um máximo de 5% do gasto total do governo à saúde mental em toda a Europa (valores que variam: 3% na Polónia, 3,5% na Itália, 4,2% em Espanha e 5,4% na Dinamarca), com impactos na disponibilidade de recursos humanos e infraestruturais dedicados à Saúde Mental. 

Quando se trata da capacidade de resposta às necessidades de saúde mental da sociedade, países com um maior gasto per capita em deficiências relacionadas com a saúde mental apresentam uma maior perceção de apoio social.

No geral, a partir dos dados disponíveis, verifica-se que os países da Europa do Norte/Central têm um melhor desempenho do que os países do Leste. No entanto, existe uma escassez generalizada de dados atualizados e possíveis distorções relacionadas com “relatórios incorretos” e “relatórios insuficientes” em alguns países.